27 de setembro de 2010

Carlos Nunes vs OCDE - A diferença entre dizer o que se pensa e pensar o que se diz

"Besides, IMI is also undermined by numerous exemptions. Portugal should substantially increase its reliance on IMI revenues, primarily by broadening the base by removing most exemptions and regularly updating property values."
No passado dia 24 de Setembro, o Dr. Carlos Nunes, em nome da Coligação "Lousada Viva", expressou a seguinte posição, aqui sintetizada, sobre o IMI:
  1. A receita do IMI devia ser distribuida pelas freguesias igualitariamente, sem o recurso a proporcionalidade;
  2. A taxa de IMI não devia subir porque isso causa mais dificuldades às famílias do concelho.

A OCDE, quiçá influenciada por tal posição, veio dizer o seguinte: as taxas de IMI estão abaixo da média Europeia quando comparadas, proporcionalmente e tendo em conta os indicadores de riqueza e, que há demasiadas isenções e excepções neste imposto que incide sobre o património, devendo o valor desse património ser constantemente revisto.

Sobre o ponto 1., já foi o nosso ponto de vista exposto, bem como a derivação marxista-lelinista que tal proposta encerra.

Já sobre o ponto 2., cumpre afirmar o seguinte:

  • O IMI, no contexto internacional, tem taxas baixas;
  • O IMI, no contexto internacional, contempla [injustamente e como referimos na Assembleia Municipal] demasiadas excepções e isenções;
  • Sendo um imposto sobre o património, é necessário incutir nos cidadãos a certeza de que o património é tributado e que não basta gastar anos de vida a construir uma casa: é necessário pensar na tributação que sobre esse património.
  • Não basta ser demagógico e populista como o Grupo Parlamentar da Coligação "Lousada Viva"; urge ser coerente ao ponto de se saber que o IMI em Lousada não é elevado; que a maioria do património não se encontra avaliado segundo as regras do IMI; que é grande o número de isenções de que as famílias usufruem.

Resta pois, saber, quem tem razão, se o Dr. Carlos Nunes, se a OCDE. Da minha parte, creio que o mais importante é que as famílias Lousadenses tenham presente que, ao comprar um terreno ou construir uma casa, estão à partida sujeitas a um imposto sobre esse património nos anos seguintes e que terão de prover ao seu pagamento.

Ver também: Princípio da Capacidade Contributiva, Princípio da Proporcionalidade, Impostos sobre o Património.

Sem comentários: